Apenas menos

A vida na China

Olá!

Só estou escrevendo pra avisar que continuo mandando as minhas cartas diárias, por e-mail.

Como me mudei para a China esse ano, tenho escrito bastante sobre as minhas experiências aqui em Shanghai.

É bem legal!

Para fazer o cadastro, é só visitar esse link, e preencher o cadastro: http://eepurl.com/ixjDY

Até!

Uma carta, todos os dias

Olá!

Então, finalmente montei o que considero ser a “evolução” do Apenas Menos.

O a ideia se chama Uma carta, todos os dias. E é isso: uma carta minha, todos os dias, na sua caixa de e-mail.

Se você tiver interesse, é só fazer o cadastro nesse endereço. Leva uns 10 segundos. Então, você receberá um e-mail de confirmação. Basta confirmar, e pronto.

Para participar, é só clicar aqui: http://eepurl.com/ixjDY

Tenho certeza que será muito mais legal! Conto com a sua participação.

É o fim desse blog, pelo menos por enquanto. Muito obrigado, querido leitor!

Experimentar

Olá queridos leitores,

É, minha experiência de fazer posts específicos em dias da semana específicos não funcionou. Percebi que algo ainda está errado conceitualmente, e decidi que enquanto o conceito não estiver suficientemente claro na minha cabeça, nada mais postarei.

Isso tudo é meio trágico, mas também é muito interessante. Eu acho que a experimentação constante faz parte de qualquer projeto inovador. No caso do blog, em cada post consigo medir o que está funcionando e o que não está. Por exemplo, eu tinha inventado duas categorias, que eram a “Para começar bem a semana” e a “Para pirar”. Nelas eu postava uma música que achava legal, todas as segundas e sextas. Foi um fracasso. Então, resolvi tira-las. Apaguei os posts, apaguei as categorias, e agora elas não incomodam mais a minha vida.

Sobraram as outras categorias. Eu ainda posso postar sobre as minhas caminhadas, sobre pensamentos malucos, posso fazer perguntas para os leitores, posso falar sobre arte que vale a pena ser apreciada, e posso falar sobre as coisas que estou lendo. Ufa. É nesse ponto que está o meu erro. É o meu erro de sempre: quero fazer coisas demais. Tantas categorias são uma espécie de escudo para a minha mente dispersiva. E tantas categorias atraem um grupo muito variado de leitores: variado demais. O próposito deste blog está no seu nome, e é o que eu pensei no dia que registrei o domínio: APENAS MENOS. Não é APENAS MAIS. =)

E é sobre isso que eu tenho que falar. Que menos é mais. E que é nisso que eu acredito. E que isso funciona. E que pensar assim ajuda as pessoas de todas as maneiras imagináveis.

Vou voltar a experimentar com esse blog em alguns dias. Em alguns dias, acredito, terei um conceito muito melhor definido para experimentar.

A arte perdida de imaginar

Ferry Boat - Tyne c1900

Aconteceu uma coisa interessante há alguns dias: eu brinquei com uma criança. Tá, e daí? É que fazia um bom tempo que eu não fazia isso, e essa experiência me levou a pensamentos interessantes.

A brincadeira era a seguinte:

  1. Ele segurava um barco de brinquedo;
  2. Eu segurava outro barco de brinquedo;
  3. Nós imaginávamos grandes aventuras marinhas.

Quando ele manifestou interesse em brincar comigo, eu estranhamente senti uma relutância. E nesse momento tive a sorte de me concentrar, ser sincero comigo, e perceber uma coisa muito triste: a criança dentro de mim está se apagando.

Era fundamental que eu me esforçasse para brincar com ele. Isso certamente valeria a pena e seria divertido.

E é claro que foi.

Depois de alguns minutos eu já estava completamente à vontade, brincando com ele do mesmo jeito que fazia há anos. Fomos para grandes mares, dominamos ilhas com tesouros, resgatamos homens que caíram no mar depois do ataque de ameaças monstruosas (infelizmente perdemos alguns deles), etc etc.

Por algum motivo os adultos perdem o hábito de imaginar. Posso especular os motivos: sinto especialmente que durante a minha adolescência, e diante das “importantes decisões da vida”, eu comecei a brincar (e com isso imaginar) cada vez menos. Mas enfim, não importa. O que importa é que isso é uma merda. Espero que não seja o seu caso, mas acho que se eu pedir agora para você gastar 5 minutos (5 minutos porra!), do seu importante dia, imaginando aventuras marinhas, você vai me dizer que está perdendo tempo, que tem coisas mais importantes pra fazer, que tem dinheiro pra ganhar/gastar, que tem garotas pra comer, que tem problemas pra resolver, etc.

Imaginar não é importante pra um adulto sério. Imaginar não vai pagar as minhas contas, você vai dizer. E quando você me disser isso, vou te dizer isso aqui: foda-se.

Existe algo que pode ser feito? É claro: é só começar a imaginar agora mesmo. Você me pergunta: por que está tão difícil? Por que eu não consigo? A resposta é simples: basta que você desligue tudo que está em volta de você.

PS: se você tiver um filho pequeno, deixe que ele te ensine. =)

Hieronymus Bosch – O Jardim das Delícias Terrenas

Hieronymus Bosch foi um pintor holandês (neerlandês?) dos séculos XV e XVI. Foi um daqueles caras que influenciaram um monte de gente famosa, mas que não ficaram tão conhecidos como os influenciados – gente como Pieter Brueghel o Velho, e mais recentemente o próprio Salvador Dalí. Aqui tem um retrato do rapaz:

Mas enfim, vamos nos focar na sua obra mais conhecida, chamada O Jardim das Delícias Terrenas. É um tríptico pintado a óleo sobre carvalho, incrivelmente detalhado. Aqui está (clique para ampliar, é inútil observar a obra pequena assim):

O painel esquerdo mostra Deus apresentando Eva para Adão. O central é um grande panorama de figuras envolvidas em todos os tipos de atos prazerosos. Há também animais fantásticos, formações surreais e frutas gigantes. Depois, no painel direito, tem-se uma imagem do inferno, mostrando os castigos aplicados nos condenados.  Depois de tanta farra, só pode dar nisso, né? Hahaha…

Eu não me sinto capacitado para qualquer tipo de análise mais profunda. É demais para a minha cabecinha… Mas se você quiser saber mais sobre possíveis interpretações dos detalhes, recomendo ler os artigos da Wikipedia em português e em inglês (mais completo).

Resumindo, a obra é absurda. Para sobreviver por tantos séculos, só pode ser, né?

Você ganhou na mega-sena. E aí?

A tendência natural das pessoas é pensar que depois de resolver a sua situação financeira, estarão com a vida feita, e poderão, enfim, ser felizes.

Hoje quero propor um exercício mental:

Suponha que você ganhou na mega-sena, ou melhor, alguma loteria hipotética que paga muito mais MESMO que a mega-sena.  Sério, é tanto dinheiro, que você pode fazer o que quiser e ainda sustentar até os seus bisnetos. Legal! Você vai lá, faz festas épicas, conhece os lugares mais bacanas do mundo, banca orgias para seus amigos, ajuda todos os seus parentes e amigos que precisam, realiza o sonho da casa própria, etc etc etc. Você faz isso por vários anos. Vários. Até que fica de saco cheio. Sinceridade: é óbvio que uma hora você ficaria, né… E sinto informar, você ainda tem muitas décadas pela frente.

E agora, o que você faz? 

Uma voltinha em Barcelona

O post que fiz sobre a minha última caminhada em Praga me deixou bastante nostálgico. Tanto, que resolvi fazer outro (e provavelmente virão mais alguns), mostrando uma das muitas caminhadas que fiz na Europa. Essa semana vou falar de uma das que fiz em Barcelona.

Quando fui pra lá, em janeiro de 2010, fiquei no Alberg Juvenil Palau, que fica bem no centro da cidade, no Barri Gòtic (bairro gótico =P). É confortável, e naquela época tinha um preço bom. Se não me engano paguei 13 euros por cada diária, com café da manhã. Mas, isso foi quase no auge do inverno (embora em Barcelona não fique muito frio).

Bem, vamos à caminhada: por algum motivo obscuro me deu a pira de conhecer o estádio olímpico, e vi que ele ficava atrás de um morro que eu já tinha visto uns dias antes. Eu TINHA que subir aquele morro, haha… Na verdade sempre gostei muito de olhar o mundo de lugares altos.

Enfim, esse é o mapa da caminhada toda:


View Uma voltinha em Barcelona in a larger map

Resolvi sair do albergue, caminhar na direção do morro, e descobrir alguma maneira de subi-lo. Fiz um planejamento de 5 minutos, observando possíveis rotas no meu mapinha de bolso. Segui a orla acompanhando a “avenida atlântica” da cidade, haha, até que cheguei na rua que supostamente seria meu acesso para o topo do mundo.

Essa é a vista da subida:

No alto do tal morro fica a fortaleza/castelo da cidade, o Castell de Montjuïc (sim, com trema no ï). Eu nem sabia direito do castelo, e foi uma surpresa bem-vinda. O lugar fica numa posição bem privilegiada, com uma vista linda. A foto ficou meio tosca, mas é mais ou menos assim:

Eu não achei um caminho normal que me levasse do castelo ao estádio, mas em dado momento encontrei uma trilha alternativa que passava por uns matos (repare no mapa), e que dava bem perto do meu objetivo. Ah, esse é um pedaço do castelo (eu realmente não estava inspirado para fotos nesse dia):

(

É curioso como em Barcelone eu já tinha ficado muito melhor na utilização de mapas. Quando cheguei na Europa, era totalmente cômico: eu SEMPRE me perdia. Mas depois de um tempo e algumas frustrações, passei a usar os mapas decentemente. O que não me impediu de errar alguns caminhos em Barcelona também, hehe…

)

Depois de mais um tanto, acabei chegando no estádio, que infelizmente estava em reformas. Durante a minha viagem encontrei vários pontos turísticos em reforma. Acho que os responsáveis aproveitam o inverno para isso. Mas enfim, foi legal sentir um gostinho da olimpíada na qual o Brasil trouxe o outro do vôlei pra casa. Tá aí:

Após o estádio, eu já estava meio cansado e pensando em voltar. Olhando o meu mapa, pensei que havia uma estação de metro perto do estádio. E eu estava errado. Dei algumas voltas a toa para descobrir que a estação mais próxima ainda estava bem longe… Não tive outra opção: andei. E foi muito legal, porque cheguei na região do Museu Nacional, um lugar bem arborizado, e com um curioso sistema de escadas rolantes externo. Eu só tinha visto escadas rolantes dentro de shoppings e em estações de metro, mas não assim, ao ar livre. As escadas desciam todo o morro, até chegar na cidade de novo. Sim, eu as utilizei com alegria…

Aqui está uma foto de quando cheguei lá embaixo:

De lá, andei a estação de metro mais próxima e voltei pro albergue. Ufa!

Desculpem de novo, mas eu realmente estou com a impressão que essas fotos sugerem que o lugar é meio sem graça. Não é! Barcelona é uma cidade única, com muitos outros lugares lindos. Eu definitivamente quero voltar e ver todas as obras do Gaudí de novo. Nunca vou me esquecer dos dias que passei lá!

Vida incerta, vida bela

A dúvida era justificável, pensou. Estaria, mais uma vez, deixando algumas coisas de lado, para correr atrás de algo que fizesse mais sentido. Seria essa a coisa certa, mesmo? Não era uma decisão trivial.

Ele já não se interessava mais em achar uma grande resposta – queria apenas um pequeno incremento de significado. Por algum motivo, nessas horas, pensar de baixo para cima funcionava muito melhor – o contrário do que ele vinha fazendo tanto…

Resolveu, então, agir, e deixou para trás mais um fragmento de realidade que já não tinha mais qualquer significado. Navegaria agora em novos mares, de novas possibilidades – onde a única certeza era mergulhar em um mundo de dúvida. Preferia ser mesmo o “eterno indeciso”, mas que andava tranquilo, devagar, numa direção que ele só saberia mesmo, no seu próximo passo. Um passo muito especial, ilimitado, livre.

Seu combustível era o aprendizado. Indeciso? Talvez… Mas certo, também, de apreciar a vida e o mundo de um jeito muito especial, único e esquecido.

Rolf Potts – Vagabonding

Olá! O livro dessa semana se chama Vagabonding: An Uncommon Guide to the Art of Long-Term World Travel, escrito pelo Rolf Potts, do site vagabonding.net. Vagabonding? Coisa de vagabundo? Sim e não…

Vamos esclarecer. O livro começa com a seguinte definição:

Vagabonding- n.

 (1) The act of leaving behind the orderly world to travel independently for an extended period of time.
 (2) A privately meaningful manner of travel that emphasizes creativity, adventure, awareness, simplicity, discovery, independence, realism, self-reliance, and the growth of the spirit.
 (3) A deliberate way of living that makes freedom to travel possible.

Eu não quero usar a palavra “vagabundo”, porque não adianta: em português, ela tem um sentido beeeem pejorativo. Mas, sei lá, eu também não queria usar a palavra “mochileiro”, porque na minha opinião ela se refere a um outro tipo de ser. Então, melhor não usar nada!

Voltando ao livro. Rolf Potts viajou pra tudo que é canto do mundo, e resolveu escreve-lo como uma espécie de chamado para todos aqueles que sonham em viajar para longe e ter uma linda experiência cheia de significado. E o melhor: de duração indefinida. É um ótimo livro para aqueles que não concordam com aquela sensação ridícula de viagem de férias enlatada. Na real, o título tem tudo a ver com o livro: é um guia incomum para a arte de viajar o mundo a longo prazo. Rolf dá dicas bem práticas de todo o processo de uma viagem independente, cobrindo desde a organização pré-viagem, até a psicologia do viajante e formas de se manter. Eu gostei bastante da leitura, porque o livro tem um leve tom filosófico, e porque ele desafia o status quo de uma maneira bem elegante e inteligente.

Existe uma “mística” que prende as pessoas em suas cidades, e embora haja pessoas que realmente gostam de ficar num só lugar, existe também uma galera que simplesmente morre de medo de deixar as coisas para trás. Uns inventam milhares de desculpas, como dizer que somente irão quando tiverem dinheiro suficiente (nunca), ou que não podem ficar longe da namorada por 3 meses – e outros se limitam a reprovar (ilogicamente ou por simples inveja) os que tomam uma atitude e fazem de suas vidas uma bela aventura.

A verdade é que todo mundo pode se mandar por uns tempos. É possível, bem viável por sinal, viver por algum tempo sem uma residência fixa. E pode inclusive ser bem mais barato que o que um trabalhador-padrão-de-classe-média gasta em suas jornadas alcoólicas-inebriantes para paraísos tropicais por uma semana. Claro, não existe fórmula mágica: é importante trabalhar, e especialmente usar o cérebro direito. E também fazer as adequações necessárias para a sua realidade.

Fazer viagens independentes ao exterior, é, na minha opinião, o melhor investimento que alguém pode fazer em sua vida (e sua carreira!), e Vagabonding é a inspiração perfeita para quem sente que está faltando só mais um chute na bunda para dar um pouco de momentum.

Clique aqui para ler um trecho (em inglês)

Albrecht Dürer – Melencolia I

Essa conhecida gravura de Albrecht Dürer (1471 – 1528) é um clássico do Renascimento Alemão. Como os outros clássicos da época, está recheada de interessantes detalhes que transformam a obra em um complexo objeto de estudo de curiosos, hehe. Clique para ampliar, é importante!

Alguns detalhes interessantes:

  • O quadrado mágico na parede contém o ano da criação da obra: 1514;
  • O fato de se chamar Melencolia I, não necessariamente sugere uma continuação da obra (que nunca existiu), mas provavelmente um dos três tipos de melancolia definidos por Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim, nesse caso a melancolia imaginativa. Ou seja, a moça só está lá pirando sossegada, e não necessariamente raciocinando/estudando;
  • O objeto à esquerda é um romboedro truncado.
Algumas perguntas que me fiz:
  1. O que significa exatamente “melancolia” nessa obra?
  2. O gênio mitológico, ou “anjinho da guarda”, ou sei lá o que é aquilo, não me parece estar muito feliz. Será que ele foi deixado de lado pela moça? Ou está simplesmente ocioso?
  3. Parece que há um estudo matemático/geométrico em andamento. É só ver as ferramentas que estão jogadas pelo chão. Seria o romboedro?
  4. O fato da areia quase ter terminado de cair, na ampulheta, sugere um prazo que está acabando? Ou seria simplesmente o fim de mais um dia?
  5. E aquele cachorro? E aquela esfera?

Ahhh, meu cérebro vai explodir!!!

Talvez esse seja, no fim, o objetivo de Dürer… Fazer o espectador pirar tanto, até que pare de pensar e simplesmente aprecie a beleza de sua arte.

E você, o que acha de Melencolia I?